Parque Estadual do Itacolomi
 

         Em 1876, na antiga Vila Rica (atual Ouro Preto), foi proposto a criação de uma escola de minas, que se diferenciava do ensino humanista da época. A criação da escola de minas foi aceita pela Academia de Ciências de Paris que além de favorecer a riqueza mineral, também o relevo acidentado da região central de Minas Gerais atraiu viajantes naturalistas. Eles tinham a missão de descrever com detalhes a natureza do lugar. Sobre o Pico do Itacolomi, escreveram os pesquisadores Spix e Martius em 1817: "O Itacolomi, ensombrado na base pela negrura das matas e destacando-se de todos os vizinhos com o seu píncaro, rochoso e nu, domina toda a região. A natureza parecia solenizar, com a gravidade do silêncio, o estado de almas que nos empolgara, diante do magnífico panorama". Tanta beleza não podia correr o risco de desaparecer. Então, no lugar foi criado por ex-alunos da Escola de Minas, o Parque Estadual do Itacolomi, administrado pelo Instituto Estadual de Florestas, órgão da Secretaria de Estado do Meio Ambiente. Em 1995, com a aquisição da Fazenda São José do Manso, foi viabilizada a implantação definitiva do parque, com visitação do público. Na Fazenda, uma casa em estilo bandeirista constitui o mais expressivo testemunho da influência paulista da arquitetura rural mineira. Além disso, as riquezas naturais da região são encantadoras e atraem muitos turistas. A localização do parque é privilegiada por abranger a maior parte da Serra do Itacolomi. Nos seus 7.543 hectares, o equivalente a quase 50 parques do Ibirapuera, estão espalhadas inúmeras grutas e cachoeiras. As quaresmeiras, que se sobressaem nas matas, e os campos de altitude com afloramentos rochosos - onde predominam as gramíneas, ciperáceas e canelas-de-ema - agradecem ao clima, relativamente úmido no verão e seco no inverno, com nevoeiros freqüentes. A preservação da flora traz para perto animais ameaçados de extinção, como a ave pavó, o lobo-guará e o andorinhão-de-coleira. Eles fazem parte de um paraíso que não possui mais ouro farto, mas que tem na natureza uma riqueza de fazer inveja a qualquer colonizador.


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