Cidade de Belo Horizonte (MG)
 

          Atraído pelas riquezas das Minas Gerais e pela serra das Congonhas, o bandeirante João Leite da Silva Ortiz fundou, em 1701, o Curral del Rey, hoje Belo Horizonte. Em 1711, por carta de sesmaria concedida pelo governador Antônio Albuquerque Coelho de Carvalho, Ortiz fundou a fazenda do Cercado, começando ao pé da serra das Congonhas, hoje serra do Curral, indo até a Lagoinha. O nome Curral del Rey deve-se a um curral onde se reunia o gado que iria pagar as taxas ao rei. Ortiz optou pelo plantio de roças, criação e negociação de gado, além de trabalhos de engenho. Aventurou-se também na faisqueira nos córregos auríferos da região, utilizando-se da mão-de-obra do grande contingente de escravos que possuía. Suas atividades foram atraindo outros povoadores, e a região foi se expandindo e consolidando-se enquanto povoado. Logo começaram a surgir algumas cafuas e, entre elas, ergueu-se a capela dedicada a Nossa Senhora da Boa Viagem. Em 1780, Curral del Rey, já um povoado bastante populoso, é elevado por carta régia a freguesia. No ano de 1891, Augusto José de Lima, nomeado governador provisório de Minas, defende a necessidade de mudar-se a capital. Investido da autoridade que lhe conferia o cargo, lavra o decreto de mudança da capital de Ouro Preto para Belo Horizonte, através da portaria nº 22, de 22 de abril de 1891, manda desenvolver estudos para a escolha do local onde se instalaria a nova capital. Em 1892, já empossado novo governador de Minas, Afonso Augusto de Moreira Lima, em seu primeiro ato administrativo, nomeia o engenheiro Aarão Reis para organizar e dirigir a comissão de estudos das localidades indicadas para a tranferência da capital. Terminado tal estudo, as discussões sucedem-se, prevalecendo como vencedores os adeptos da localidade de Belo Horizonte. A Lei nº3, de 17.12.1893, aprova o plano da nova capital de Minas, e o engenheiro Aarão Reis é nomeado presidente da Comissão da Construção da Nova Capital. Permanece a frente da comissão de fevereiro de 1894 a maio de 1895, quando é substituído pelo engenheiro Francisco de Paula Bicalho, que dá prosseguimento aos planos idealizados por seu antecessor.
A concepção urbanística de Aarão Reis era moderna e dava ênfase ao aspecto da salubridade e visibilidade no projeto da cidade, além de atender aos anseios da época de uma sociedade baseada nos ideais da República que se instalara. A planta de Belo Horizonte, concebida por Aarão Reis e sua equipe, tinha o setor urbano separado do suburbano pela avenida do Contorno. Queria ele que a cidade, logo que tivesse o centro ocupado, fosse expandindo-se para a periferia e que da periferia viessem todos ao comércio e ao lazer, na área central. A história vai nos mostrar que, na realidade, o que se deu foi exatamente o contrário: a área suburbana foi ocupada primeiramente e o centro, por longo tempo, teve grandes vazios. A planta original de Aarão Reis, respeitada por seu sucessor, destaca-se por avenidas largas de 35m de larguras, excetuando-se a Afonso Pena, que tem 50m de largura, ruas na zona urbana com 20m de largura e nas zonas suburbanas, com 14m de largura. Vale ressaltar que, apesar de constar do estudo, a área externa a Contorno não mereceu qualquer tipo de tratamento a época da inauguração da cidade. A instalação da capital mineira em Belo Horizonte dá-se no dia 12 de dezembro de 1897, de acordo com o decreto nº 1085, pelo então presidente Chrispim Jacques Bias Fortes, que deu seqüencia aos desejos do ex-governador Afonso Pena no tocante as obras da nova capital. Em 28 de dezembro de 1897, foi criada a prefeitura municipal e nomeado o seu primeiro prefeito, o Dr. Adalberto Dias Ferraz da Luz. Concomitantemente, desfaz-se a comissão construtora, passando a responsabilidade das obras da nova capital para a prefeitura. Em 1901, a cidade de Minas passa definitivamente a chamar-se Belo Horizonte. Criada para ser sede administrativa, não foi apenas a cidade do funcionalismo público estadual; foi, sim, a formadora de um novo modo de vida moderno. Abrigou a indústria e também o industriário, o comerciante e o comerciário. Neste belo cenário entre montanhas, Belo Horizonte cresceu e virou uma bela e grande metrópole. Em seu crescimento, contou com a colaboração das pessoas da terra, mas também de além-mar. Neste particular, a colônia italiana foi de vital importância na construção da cidade.                                                                Fonte: Prefeitura Municipal de Belo Horizonte (MG).


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