No total a média girava
em torno de 60 garotos. Os garotos entre 08 a 10 anos formavam o “Pintinho”
enquanto que os garotos entre 11 a 15 anos formavam o “Lambari”, times de
futebol.

Time “Lambari”de
Orlando Lima
Os craques, após
completarem 15 anos, eram transferidos para o “Juvenil” do “Alvinopolense
Futebol Clube”, sob o comando de outro treinador.
De 1940 a 1961 todo
craque surgido na cidade de Alvinópolis, com certeza foi formado no “Lambari” de
Orlando Lima.
À seguir uma fotografia
tirada no dia 30 de julho de 1955, com o quadro Titular do “Lambari”de
Orlando Lima.

Da esq. para dir. em cima:
“Pedrinho”, “Adair”, “Fernando”, “Nem” e “Fabinho”.
Da mesma ordem em baixo: “Delcio”,
“Rafael”, “Aurélio”, “Geraldo”, “Bororó” e “Paulinho”
O “Lambari” e o
“Pintinho” sempre tiveram o apoio da Diretoria do “Alvinopolense Futebol Clube”,
inclusive os treinos às segundas-feiras e sábados e alguns jogos amistosos eram
realizados em seu campo.
O Sr. José Silvério de Souza Carvalho com
emoção relata a seguir a atuação de Orlando Lima junto ao “Lambari”:
“O Sr. Orlando Lima
mantinha sob a sua guarda todo material esportivo utilizado pelos craques e
muitas vezes gastava dinheiro de seu próprio bolso para melhorias de material,
aquisição de material, etc. Sempre viajávamos pelas cidades vizinhas, de
caminhão, para jogos amistosos. Uma das principais características do Sr.
Orlando, era o de colocar apelidos na garotada, que carregamos nas costas até os
dias de hoje, até com uma certa satisfação. No meu caso, sonhava em jogar no
Lambari e aos 10 anos de idade meu pai conversou com o Sr. Orlando e eu estava
incorporado no time de futebol em 1953. Uma felicidade sem tamanho tomou conta
de mim e no sábado seguinte lá estava eu, um garoto raquítico, baixinho, olhos
arregalados, fixados no Sr. Orlando, que reuniu a garotada no centro do gramado
do Clube Alvinopolense. Então ele olhou para mim, com cara de poucos amigos,
passando a mão nas suas longas barbas. Eu tremi de medo e então ele me chamou:
- hei você aí, vem
aqui...
O Sr. Orlando olhou para
mim e para os demais garotos que estavam rindo. Os garotos davam gargalhadas
enquanto eu fiquei todo vermelho de vergonha. Então, o Sr. Orlando disse em voz
alta:
- VIDRILHO...
Nesse momento eu estava
batizado.
Depois ele me explicou
que “Vidrilho” era um minúsculo pássaro e como eu era o menor garoto do grupo,
ele resolveu colocar este apelido...”.
O depoimento acima
relatado pelo Sr. José Silvério exemplifica a singular personalidade de
Orlando Lima.
Dentro de sua especialidade em criar apelidos, neste trabalho são citados alguns que foram colocados por ele aos cidadãos alvinopolenses, que são:
1) Redondo; 2) Didinho;
3) Tizinho; 4) Buzão; 5) Zezé; 6) Taxinha; 7) Baiana; 8)
Lirinha; 9) Dada; 10) Saquitumba; 11) Sabiá; 12) Moba; 13) Bacuri; 14) Zé Grilo;
15) Geraldo Garrinchinha; 16) João Peida-fogo; 17) Dico Lavanca; 18) Caldeirão;
19) Catatau; 20) Gasolina; 21) Chambeta; 22) Mão na boca; 23) Nôno barata; 24)
Toninho miau; 25) Binguinha; 26) Bingota; 27) Picareta; 28) Geraldo chulapa; 29)
Vicente Maria Preta; 30) Carrapicho; 31) Raimundo canavial; 32) Lalada; 33) Vaca
braba; 34) Vaquinha; 35) Azulão; 36) Tiziu; 37) Geléia Preta; 38) Zé cabrito;
39) Bené fumaça; 40) Anzol; 41) Anzolinho; 42) Ratinho; 43) Tito ossada; 44)
Paulinho rebeca; 45) Galinho; 46) Leitoa; 47) Bené classe; 48) Chico sem tampa;
49) Birião; 50) Bororó; 51) Doca; 52) Vidrilho; 53) Lataria; 54) Grude; 55)
Cocota; 56) Coalhada; 57) Bené beiçola; 58) Anemia; 59) Zé três; 60) Limonada;
61) Cabacinha; 62) Baianinho; 63) Zego; 64) Zé lusão; 65) Tubarão; 66) Rebojo;
67) Carquejo; 68) Polac; 69) Lilito Massa; 70) Nuado; 71) Carlos gafanhoto; 72)
Caroço; 73) Zé da Capelinha; 74) Sem elas; 75) Com elas; 76) Chico de Caruncha;
77) Pity; 78) Quinquita; 79) Mucolo; 80) Totó; 81) Tatim; 82) Dinho; 83) Dinho
Muchiba; 84) Baratinha; 85)Bodão; 86)Pelanca.
Esses apelidos sempre
eram envoltos de alguma história, sempre dados por causa de uma característica
física, comportamental ou sentimental.
Os apelidos de
Orlando Lima tinham mais importância na cidade do que o próprio nome verdadeiro
do cidadão. Um apelido colocado por outra pessoa não tinha tanta evidência como
aquele colocado por Orlando Lima. Existe um caso que até nos dias atuais
conta-se na cidade a respeito de um enterro.
Um cidadão chamado
Sebastião Ferreira era conhecido como “Tazinho”. Mas esse apelido não foi
colocado por Orlando Lima. Até que esse cidadão faleceu e no dia de seu
enterro compareceu durante o cortejo fúnebre um senhor chamado José de Oliveira.
Como o caixão se encontrava fechado, o Sr. José de Oliveira ficou curioso para
saber quem era o falecido. Até que ele resolveu perguntar para as pessoas e
responderam para ele que o falecido era o “Tazinho”. Quando começaram a carregar
o caixão o Sr. José de Oliveira foi convidado a ajudar. Durante o percurso até a
sepultura o Sr. José de Oliveira encontrava-se silencioso, mas ainda curioso,
pois ainda não conseguia identificar o falecido. Até que no momento final ele
perguntou novamente quem era o tal “Tazinho”.
Foi neste momento que lhe
revelaram que o falecido era o “Sem ela” (apelido dado por Orlando
significando “sem nádegas”). Nesse instante o Sr. José de Oliveira não conseguia
mais segurar o caixão por causa de seu duradouro pranto. Com este caso evidencia
a repercussão que causava os apelidos inventados por Orlando Lima.
Um outro caso deve ser
aqui mencionado ocorrido na cidade na década de 30 envolvendo Orlando
Lima. Segundo depoimentos, antes de criar o time “Lambari”, ele
foi responsável indiretamente pelo surgimento de um clube na cidade chamado
atualmente de “Industrial Sport Club”. Conta-se que um grupo de operários da
fábrica de tecidos (Companhia Fabril Mascarenhas) da cidade de Alvinópolis eram
filiados ao Partido Integralista e jogavam futebol com Orlando Lima.
Então, Orlando sempre irreverente, chamava-os de “Periquitos” pelo
fato de usarem a roupa da cor verde. Esse grupo de operários não gostava do
apelido e pediram para o diretor da fábrica de tecidos um terreno pertencente a
Cia. Mascarenhas para que pudessem praticar o futebol. A partir daí, fundaram o
“Anauê Esporte Clube” no Bairro da Fábrica que posteriormente foi chamado de
“Industrial Sport Club” em 1938. Esse é apenas um dos vários casos que envolviam
os apelidos criados por Orlando Lima.
Uma pequena lembrança dos
ex-jogadores do Lambari de Orlando Lima é que nos treinos quando iniciava o
entardecer, ele gritava a palavra “Borô”, todos os jogadores sabiam que era a
hora de partir.
Orlando Lima
organizava os torneios de futebol na região da cidade de Alvinópolis. Tanto os
treinos como os torneios eram envoltos de muita alegria e festa para os jovens.
Dentre os torneios
vale mencionar os ocorridos na cidade de São Domingos do Prata (MG). O time
“Lambari”, de Alvinópolis, disputava contra o time “Guarani” de São Domingos do
Prata (M.G.). Veja abaixo duas fotos de torneios em S. Domingos do Prata (MG)
Orlando Lima sempre
conduzia os jovens para disputar os jogos nas cidades.
Os melhores jogadores de
futebol que saíram da cidade de Alvinópolis foram formados no time “Lambari”.
Dentre eles, citam-se: “Didinho”, Rafael Cotta, Fábio (de Juca Nanato),
Romeno (Domenico de José Rodrigues), Romualdo de Oliveira, Ari (de Caetanim),
etc.
Orlando Lima
manteve o trabalho do “Lambari” durante anos, sem remuneração, por puro
idealismo e por gostar de trabalhar com jovens.
Em 1961 lamentavelmente
findou o “Lambari” de Orlando Lima, deixando sua marca registrada, revelando
craques de gabarito para o Alvinopolense Futebol Clube.