Orlando Lima
 

Uma outra área em que o Orlando Lima atuou na cidade de Alvinópolis foi a da saúde. Foi um dos pioneiros na área da enfermagem na cidade.

Em meados de 1940, Orlando Lima pretendia ir para a cidade de João Monlevade (MG) trabalhar como eletricista.

Mas o ilustríssimo médico Dr. Mário França convidou-o para trabalhar na área da saúde na cidade de Alvinópolis.


Dr. Mario França (i.m.)


Busto em homenagem ao Dr Mário França

Orlando trabalhou durante muitos anos como funcionário estadual da Secretaria de Saúde, atuando no “Posto de Saúde Carmélia Dutra” .


Posto de Saúde Carmélia Dutra

Ele foi um dos precursores na área da enfermagem na cidade de Alvinópolis, tendo como companheiras as enfermeiras Madalena Bessa e Ana de Souza (essas duas trabalhavam no antigo hospital da cidade).

Como enfermeiro, segundo depoimentos de alvinopolenses e familiares, ele auxiliava o médico da cidade, o ilustríssimo Dr. Mário França durante os partos, fazia biópsias, tratava de abscessos, de lesões inflamatórias (como furúnculos), bernes, removia parasitos (como a tênia), aplicava vacinas, além também de realizar curativos domiciliares.

Em uma época que não havia médico legista, era ele quem realizava a abertura dos cadáveres e a remoção dos tecidos e órgãos para a necropsia. Isso era realizado em uma sala do cemitério, uma vez que o antigo hospital não possuía instalações para a realização desse procedimento.

No “Posto de Puericultura Carmélia Dutra”, Orlando era o único na região que realizava a remoção do parasito “solitária” (teníase). Ele realizava este procedimento através da técnica de "tubagem duodenal".

Veja a página "Antigo tratamento de teníase"

Orlando Lima ficou famoso na redondeza como o "Tirador de solitária”. Além de Alvinópolis, cidades como Piracicaba, Dom Silvério, São Domingos do Prata enviavam pacientes para que ele fizesse o tratamento da teníase. A demanda de pacientes foi grande no período compreendido entre 1945 a 1955.

Além disso, Orlando juntamente com José da Conceição Carvalho (conhecido com o apelido de “Micaré”), atuaram também em campanhas educativas de saúde. Na zona rural, com o apoio da ACAR (Associação de Crédito e Assistência Rural) realizavam o serviço social direcionado as famílias. Realizavam palestras de caráter estritamente preventivo.

Percorriam os quintais das casas verificando a existência de poças de água, jogando óleo queimado para a prevenção contra mosquitos e pernilongos. Tinham a função de verdadeiros agentes de saúde, em uma época que inexistia a informação da população com relação à prevenção em saúde pública.

Na década de 50 atuou em campanhas de vacinação, percorrendo as fazendas e escolas. Costumava ir às escolas, bem cedo, e realizava programas de prevenção de verminose (como o parasito Ascaris Lumbricoides). Orlando Lima entregava para cada faixa etária de crianças, os devidos comprimidos de vermífugos.

Orlando teve um papel fundamental na profilaxia de enfermidades na cidade de Alvinópolis, atuando em campanhas como na vacinação contra a varíola e dentre outras.

Muitos alvinopolenses entrevistados para a realização deste trabalho, recordam a atuação de Orlando Lima nas campanhas de prevenção que realizou.

Orlando Lima era daquelas pessoas que não se intimidava em ajudar o próximo, sem nenhum interesse, fazia isso com muito amor.

Muitas vezes chegavam pessoas ao Posto de Saúde em estados precários de saúde. Mas Orlando tratava dessas pessoas com toda dedicação: dando banho, tratando de suas feridas, cortando suas unhas, solicitando barbeiro para cortar seus cabelos, etc.

A partir de 1948, após a construção do “Hospital Nossa Senhora de Lourdes”, esteve atuando também na área da enfermagem na cidade a irmã Eva Veiga.

Orlando Lima sempre manteve o respeito e a amizade com os colegas da área da saúde.

Ele ia trabalhar sempre bem disposto, e sempre bem humorado. Quando chegava ao hospital e vendo a Irmã Eva Veiga atendendo algum paciente com alguma lesão inflamatória, como por exemplo, um furúnculo, ele dizia em tom irônico:

“Eh, Irmã Eva, não papa homem, não...”. Ele dizia isso para que a Irmã Eva não tivesse pena e apertasse bem o furúnculo. Era dessa forma que conduzia o seu relacionamento interpessoal: com irreverência, sabedoria e respeito.

Na área da saúde, na maioria das vezes existe tão presente o medo e o sofrimento dos pacientes, mas Orlando Lima sempre utilizava a psicologia para neutralizar estes sentimentos negativos. Era comum dele chegar e dizer em voz alta, frases com sentido, burlesco, como:

“Eh, gente... mulher ciumenta como a minha ninguém tem”.

Dessa forma, ele conseguia distrair a atenção nervosa dos pacientes e através do tempo que dispunha, tentava aliviar seus sofrimentos, através dos tratamentos.

Quando Orlando ficava sabendo que existia alguma pessoa que se encontrava doente e que residia fora da cidade, costumava buscar essa pessoa com o carro de boi ou até de cavalo.

O trabalho iniciado por Orlando Lima na década de 40 na área da enfermagem perdurou até o final da década de 60. Dando continuidade a este trabalho, também se destaca Maria Turrer Rodrigues (de apelido “Marica”), a nível hospitalar.

Orlando era muito acolhedor e sempre levava os pobres para serem tratados em sua casa. Sua esposa, Petrina Lima, era também muito receptiva e comunicativa e sempre ajudava os pobres.

A família de Orlando Lima sempre foi muito bem relacionada com a sociedade alvinopolense. Sempre foram rodeados de amigos e parentes.

Orlando Lima também foi Secretário do Posto de Saúde em Alvinópolis com diversas funções, cargo que acumulou com a função de Escrivão de Polícia, onde prestou relevantes serviços como Assessor dos Delegados de Polícia. Dentre os Delegados, destaca-se Antônio Pereira da Silva, filho do ilustríssimo Capitão Manoel Pereira da Silva, imigrante português que fundou a Corporação Musical Santo Antônio na cidade de Alvinópolis.

Além de Enfermeiro e Secretário do Posto de Saúde, Orlando atuou em diversas funções, tais como: Porteiro (supervisionando a entrada dos pacientes e os horários de atendimentos), como Auxiliar de dentista (na esterilização dos instrumentais), ou mesmo como Auxiliar de médico (no preenchimento das fichas).

Ele trabalhou mais de 25 anos no Centro de Saúde e teve como companheiros:

a) Dr. Mário França, o médico;
b) José da Conceição Carvalho (de apelido Micaré ) que era vigilante sanitário;
c) Antônio Argemiro de Carvalho (de apelido Toni) que era o microscopista;
d) Antônio Machado, o dentista;
e) Auxiliadora Duarte, era a assistente social.

Na cidade de Alvinópolis ficou uma doce lembrança de Orlando Lima e Petrina Lima e até nos dias atuais os alvinopolenses sentem a lastimável perda desses verdadeiros seres humanos, que nunca cairão no ostracismo.

Este trabalho tem o intuito de realizar uma homenagem póstuma a um homem que batalhou muito pelo bem comum dos habitantes da cidade de Alvinópolis.

Um homem que trabalhou até em idade avançada. No final de sua vida, apesar de ter se aposentado como funcionário público estadual, ele continuou trabalhando no Posto de Saúde. Enfim, um homem que não mediu esforços em sua trajetória. Deixou sua marca na área da política como delegado de polícia, na área social com o esporte e na área da saúde com a enfermagem. Mas nenhuma área foi mais evidente que a área do ser humano em si, que marcou profundamente a sociedade alvinopolense.

No final de sua vida, mudou-se para a Rua Getúlio Vargas, no 213 aonde veio a falecer no dia 27 de junho de 1975, aos 76 anos de idade. Sua esposa, Petrina Lima faleceu no dia 05 de maio de 1980.


Residência de Orlando Lima


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